A cannabis foi amplamente usada como um medicamento em todo o mundo desenvolvido no século XIX, mas entrou em declínio no início do século XX antes de seu surgimento como a droga recreativa ilícita mais usada no final daquele século. Os recentes avanços na farmacologia canabinoide ao lado da descoberta do sistema endocanabinoide (ECS) reacenderam o interesse em medicamentos à base de cannabis. A ECS emergiu como um importante sistema fisiológico e alvo plausível para novos medicamentos. Seus receptores e ligantes endógenos desempenham um papel modulatório vital em diversas funções, incluindo resposta imune, ingestão de alimentos, cognição, emoção, percepção, reforço comportamental, coordenação motora, temperatura corporal, ciclo de vigília/sono, formação e resorção óssea, e vários aspectos do controle hormonal. Na doença pode atuar como parte da resposta fisiológica ou como um componente da patologia subjacente. Na vanguarda da pesquisa clínica estão os canabinoides delta-9-tetrahidrocanabinol e cannabidiol, e sua farmacologia contrastante será brevemente delineada. O potencial terapêutico e possíveis riscos de drogas que inibem a ECS também serão considerados. Este artigo passará então a revisar pesquisas clínicas explorando o potencial dos medicamentos canabinoides nas seguintes indicações: alívio sintomático na esclerose múltipla, dor neuropática crônica, náuseas e vômitos intratáveis, perda de apetite e peso no contexto de câncer ou AIDS, psicose, epilepsia, vício e distúrbios metabólicos.
Potencial terapêutico de medicamentos canabinoides
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