Os preparativos da planta cannabis sativa têm sido utilizados para efeito analgésico para a millenia, mas somente nas últimas décadas foi descrito o sistema endógeno responsável por esses efeitos. O sistema endocanabinoide (CE) é agora conhecido por ser um dos principais sistemas endógenos que regulam a sensação da dor, com ações modulatórias em todas as etapas das vias de processamento da dor. O sistema CE é composto por dois principais receptores canabinoides (CB1 e CB2) e duas classes principais de ligantes endógenos ou endocanabinoides (CEs). Os receptores possuem perfis de expressão distintos, com receptores CB1 encontrados em locais pré-sinápticos em todos os sistemas nervosos periféricos e centrais (PNS e CNS, respectivamente), enquanto o receptor CB2 é encontrado principalmente (mas não exclusivamente) em células imunes. Os ligantes endocanabinoides são neurotransmissores lipídicos pertencentes à classe N-acyl ethanolamine (NAEs), por exemplo, anandamida (AEA), ou à classe monoacylglicerol, por exemplo, 2-arachidonoyl gliceol (2-AG). Ambas as classes são substâncias transmissoras de ação curta, sendo sintetizadas sob demanda e com sinalização rapidamente encerrada por enzimas específicas. As CES que atuam no CB1 regulam negativamente a neurotransmissão em todo o sistema nervoso, enquanto as que atuam no CB2 regulam a atividade das células imunes do CNS. A sinalização através desses dois subtipos receptores tem um papel no processamento nociceptivo normal e também na resolução de desenvolvimento de estados de dor aguda. Neste capítulo, descrevemos as características gerais do sistema CE como relacionadas à dor e à nocicepção e discutimos a riqueza de dados pré-clínicos e clínicos envolvendo o direcionamento do sistema CE com foco em duas áreas de promessa particular: modulação da sinalização 2-AG através de inibidores específicos de enzimas e o papel do CB2 espinhal em estados de dor crônica.
O Papel do Sistema Endocanabinoide na Dor
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